Desde os primórdios da civilização ocidental o componente afetivo do ser humano é um tema de destaque entre as discussões e formulações teóricas. Muitos já o fizeram e tantos outros continuam a se debruçar sobre esta questão que gera fascínio e, ao mesmo tempo, receio.
Sem o intuito de resgatar o desenvolvimento do conceito de afetividade, tomo a definição do neurofisiologista Antonio Damásio como pressuposto para iniciarmos a discussão sobre deste tema. Segundo ele, a afetividade é um dos domínios do psiquismo humano para onde convergem as percepções de objetos internos e externos, que se projetam na forma de emoções e sentimentos. Por ser um dos componentes da estrutura psicológica do indivíduo, este se inter-relaciona com os demais domínios - a exemplo, o cognitivo - possibilitando a formulação e a reformulação de outras percepções.
Damásio estudou as emoções sob vários contextos e chegou a uma conclusão muito interessante: a afetividade constitui o eixo gerador da ação e da tomada de decisão.
Com vista a estes apectos, o campo da moralidade humana torna-se uma ferramenta muito rica para se estudar os sentimentos e as emoções.
Se resgatarmos o estudo da moralidade na perspectiva construtivista, temos Piaget desenvolvendo estágios do juízo moral. Para este autor, o sistema ético baseava-se sobretudo em torno do conceito de justiça.
Posteriormente, Kohlberg elabora uma perspectiva social dos estágios, ao averiguar o desenvolvimento do juízo moral. Ele fez seus estudos através de um método que consistia em utilizar uma situação problematizadora (dilema moral) em uma entrevista clínica.
Entretanto foi observado que em situações dilemáticas, os indivíduos apresentam vuilnerabilidades, o que resulta em uma discrepância das respostas que estão repletas de dicotomias.
Gillligan, também pesquisadora sobre a moralidade humana, apresenta uma nova proposta de sistemas éticos: os homens pautam seu sistema ético no princípio da justiça, já as mulheres, no princípio do cuidado.
Posteriormente a feminista Benhabib propõe que os sistemas éticos são baseados em dois conceitos distintos: o outro concreto e o outro generalizado. O outro concreto está relacionado com a concretude dos indivíduos e é considerada sua história, suas particularidades, sua identidade. Os sentimentos morais atrelados ao outro concreto são o amor, o cuidade, a simpatia e a solidariedade.
Já o outro generalizado está relacionado com a visão do ser humano de maneira mais genérica, com direitos e deveres que são comuns a toda a comunidade humana. Os sentimentos morais atrelados ao outro generalizado são o respeito, o dever, o mérito e a dignidade.
A partir destas várias contribuições para o estudo dos sentimentos e da moralidade, emerge a Teoria dos Modelos Organizadores do Pensamento que busca contemplar toda a complexidade existente nos juízos morais. Desta forma, o que se procura fazer é analisar os elementos importantes para o indivíduo específico, e toda a rede de signifcados que eles configuram, livrando-se de antemão do estruturalismo que engessa a análise de aspectos tão complexos como os sentimentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário