quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mitos culturais e novos paradigmas

A Teoria da Complexidade, já anteriormente citada, rompe com o modelo de realidade concebido pela Ciência Moderna.






E tudo isso porque ela inclui o olhar do observador dentro da própria dinâmica do processo ao qual ele está observando.






Ou seja, cada observador produz um fragmento de realidade que lhe convém, segundo seus valores, suas crenças e seu conhecimento já construído.






A realidade deixa de ser estritamente objetiva e passa a ter um caráter subjetivo.






Exemplos desta nova maneira de pensar podem ser encontrados em imagens que podem ser interpretadas através de mais de uma perspectiva. Observe:









Na imagem apresentada podemos enxergar dois velhinhos ou dois camponeses sentados juntos.


Este é um exemplo de como a realidade pode ser subjetiva e parcial.




Há um outro fenômeno também muito interessante dentro desta discussão que é o processamento da realidade que enxergamos, através de nosso cérebro.




O cérebro possui mecanismos que nem os mais avançados estudos conseguem compreender. Tudo o que se sabe é que ele é capaz de preencher lacunas com que faltam em uma informação a fim de que ela seja compreensível. Observe:




NS VMOS ANDR DE BCICLTA


Ainda que faltem algumas letras, nosso cérebro é capaz de compreender a mensagem.



A Teoria da Complexidade prevê ainda uma série de outras rupturas com o paradigma vigente. Mas o que nos interessa neste momento é exatamente a questão da inclusão da subjetividade na epistemologia da Ciência.



Ao entrar em contato com estas ideiais as pesquisadoras Moreno, Sastre, Bovet e Leal, começaram a inquietarse no sentido de propor um aparato teórico metodológico que permitesse que suas pesquisas no campo da Psicologia pudessem se adequar a esta nova e tão apropriada visão. Foi assim que elaboraram a Teoria dos Modelos Organizadores do Pensamento.



Tal teoria propõe que o sujeito constrói modelos de realidade que lhe são particulares e que lhe permitem sua orientação e conduta. Os modelos organizadores do pensamento são construídos a partir da seleção de elementos advindos da realidade do sujeito, o que implica diretamente na exclusão dos elementos que lhe parecem pouco relevantes. Os dados selecionados pelo sujeito estão repletos de significado, já que este é o fator que determina sua escolha.



Sendo a seleção/abstração de dados, a atribuição de significados e o estabelecimento de relações entre eles, os elementos que constituem os modelos organizadores, podemos tirar a seguinte conclusão proposta por Arantes (2003): "[...] o conhecimento não é uma simples cópia da realidade objetiva, mas uma construção que o próprio sujeito realiza" (p. 118)



quarta-feira, 29 de junho de 2011

O ponto de mutação


Ciência e Educação. Dois extremos no que se refere a produção de conhecimento.



Ainda mais porque o que se vê, na maioria dos casos, é Ciência produzindo e Educação reproduzindo.




Discutir Ciência é algo extremamente complexo, assim como discutir a Educação. Para fazer uma análise profunda, é preciso recorrer às suas origens e ao seu desenrolar, o que levaria horas de discussão. Por isso restringirei meu discurso e minhas indagações a dialética existente entre estes campos.




Como resgatar toda a história da Ciência seria uma tarefa e tanto, me ocuparei apenas de um grande marco em sua constituição: o paradigma cartesiano. Descartes foi um filósofo que entre muitas coisas, postulou que para que se conhecesse profundamente algum objeto de estudo, este deveria ser dividido em quantas partes fosse possível, a fim de que fosse esmiuçado ao máximo. Esta noção, que foi completamente incorporada pela epistemologia da Ciência, gerou uma grande consequência: a ideia de que o todo é a soma das partes.




E foi exatamente neste contexto que as relações, os processos e o todo e si, foram desvalorizados, como se não influenciassem no "resultado final". Consequências destas ideias são que hoje fazemos uma ciência reducionista (reduz o todo às partes), fragmentada (as "partes" não interagem entre si, criando processos e dinâmicas particulares) e linear (não considera a rede de fatores que interferem no objeto, e sim apenas uma lógica de produção: começo, meio e fim).




Estas são algumas das questões discutidas na obra "O ponto de mutação" de Fritjof Capra, que posteriormente deu origem ao filme de mesmo título. O que Capra propõe é uma mudança de paradigma. O que se espera é a vigência do paradigma emergente, que propõe um novo olhar, muito mais cuidadoso a respeito das dinâmicas da vida e da Ciência.




Este novo olhar está em sintonia com a Teoria da Complexidade, sistematizada por Edgar Morin. Ela tem como metáfora máxima a formação de uma lógica sistêmica, a configuração de uma rede.




A rede conecta e reconecta. Sai do plano e avança para a terceira dimensão, possibilitando novos arranjos e rearranjos de conexão do conhecimento.



Gosto muito de apresentar a ideias dos Fractais como exemplo mais consistente da Teoria da Complexidade. Fractal é um objeto que não é definido pela geometria tradicional.



Ele possui detalhes que podem ser visualizados sob qualquer ponto de vista. Mesmo se variarmos muito o tamanho da imagens, podemos notar seus detalhes aparecendo repetitivamente. Ou seja, o todo e as partes apresentam a mesma forma visível, que se repete inúmeras vezes, independenedo de quantas vezes o objeto seja "cortado".


E para a Teoria da Complexidade a existência dos fractais é uma prova viva da complexidade dos fenômenos, já que não importa em quantas partes o objeto seja reduzido, ele sempre irá manter a complexidade de seus elementos. Ou seja, reduzir em partes não facilita a compreensão do todo.

Na natureza existem vários exemplos de fractais. Um dos mais belo é o brócolis. Observe:





Sua forma no tamanho real é idêntica a forma que apresentam suas partes.












E onde fica a Educação nisso tudo?

Como produto humano, a Ciência opera a favor do desenvolvimento (discutir o que é desenvolvimento é uma outra e muito complexa questão) e por isso interfere em inúmeros outros campos de nossa sociedade. Inclusive na Educação.


Observemos a herança da Ciência impregnada na escola:

REDUCIONISMO: o conhecimento, a cidadania e a tal desejada "formação integral do ser humano" foram tomadas pelo que acreditam ser suas partes, as disciplinas curriculares > Que mesmo juntas estão longe de configurar este "todo" desejado.


FRAGMENTAÇÃO: Estruturação em torno de disciplinas estanques > O conhecimento é engavetado.

LINEARIDADE: Seriação da educação > A lógica da escola é um sistema linear onde se entra ignorante e sai magistrado.


Por isso se faz necessária e urgente a mudança de paradigma, para que possamos vislumbrar também a tão proclamada mudança no campo educacional.





























Introdução

Este blog foi criado com o intuito de comportar minhas ideias e reflexões a respeito das aulas da disciplina Ciência, Educação e Direitos Humanos oferecida pelo Prof. Dr. Ulisses F. Araújo na pós-graduação da FE-USP.

Além disso, este trabalho será utilizado para compor minha avaliação na disciplina.