quarta-feira, 29 de junho de 2011

O ponto de mutação


Ciência e Educação. Dois extremos no que se refere a produção de conhecimento.



Ainda mais porque o que se vê, na maioria dos casos, é Ciência produzindo e Educação reproduzindo.




Discutir Ciência é algo extremamente complexo, assim como discutir a Educação. Para fazer uma análise profunda, é preciso recorrer às suas origens e ao seu desenrolar, o que levaria horas de discussão. Por isso restringirei meu discurso e minhas indagações a dialética existente entre estes campos.




Como resgatar toda a história da Ciência seria uma tarefa e tanto, me ocuparei apenas de um grande marco em sua constituição: o paradigma cartesiano. Descartes foi um filósofo que entre muitas coisas, postulou que para que se conhecesse profundamente algum objeto de estudo, este deveria ser dividido em quantas partes fosse possível, a fim de que fosse esmiuçado ao máximo. Esta noção, que foi completamente incorporada pela epistemologia da Ciência, gerou uma grande consequência: a ideia de que o todo é a soma das partes.




E foi exatamente neste contexto que as relações, os processos e o todo e si, foram desvalorizados, como se não influenciassem no "resultado final". Consequências destas ideias são que hoje fazemos uma ciência reducionista (reduz o todo às partes), fragmentada (as "partes" não interagem entre si, criando processos e dinâmicas particulares) e linear (não considera a rede de fatores que interferem no objeto, e sim apenas uma lógica de produção: começo, meio e fim).




Estas são algumas das questões discutidas na obra "O ponto de mutação" de Fritjof Capra, que posteriormente deu origem ao filme de mesmo título. O que Capra propõe é uma mudança de paradigma. O que se espera é a vigência do paradigma emergente, que propõe um novo olhar, muito mais cuidadoso a respeito das dinâmicas da vida e da Ciência.




Este novo olhar está em sintonia com a Teoria da Complexidade, sistematizada por Edgar Morin. Ela tem como metáfora máxima a formação de uma lógica sistêmica, a configuração de uma rede.




A rede conecta e reconecta. Sai do plano e avança para a terceira dimensão, possibilitando novos arranjos e rearranjos de conexão do conhecimento.



Gosto muito de apresentar a ideias dos Fractais como exemplo mais consistente da Teoria da Complexidade. Fractal é um objeto que não é definido pela geometria tradicional.



Ele possui detalhes que podem ser visualizados sob qualquer ponto de vista. Mesmo se variarmos muito o tamanho da imagens, podemos notar seus detalhes aparecendo repetitivamente. Ou seja, o todo e as partes apresentam a mesma forma visível, que se repete inúmeras vezes, independenedo de quantas vezes o objeto seja "cortado".


E para a Teoria da Complexidade a existência dos fractais é uma prova viva da complexidade dos fenômenos, já que não importa em quantas partes o objeto seja reduzido, ele sempre irá manter a complexidade de seus elementos. Ou seja, reduzir em partes não facilita a compreensão do todo.

Na natureza existem vários exemplos de fractais. Um dos mais belo é o brócolis. Observe:





Sua forma no tamanho real é idêntica a forma que apresentam suas partes.












E onde fica a Educação nisso tudo?

Como produto humano, a Ciência opera a favor do desenvolvimento (discutir o que é desenvolvimento é uma outra e muito complexa questão) e por isso interfere em inúmeros outros campos de nossa sociedade. Inclusive na Educação.


Observemos a herança da Ciência impregnada na escola:

REDUCIONISMO: o conhecimento, a cidadania e a tal desejada "formação integral do ser humano" foram tomadas pelo que acreditam ser suas partes, as disciplinas curriculares > Que mesmo juntas estão longe de configurar este "todo" desejado.


FRAGMENTAÇÃO: Estruturação em torno de disciplinas estanques > O conhecimento é engavetado.

LINEARIDADE: Seriação da educação > A lógica da escola é um sistema linear onde se entra ignorante e sai magistrado.


Por isso se faz necessária e urgente a mudança de paradigma, para que possamos vislumbrar também a tão proclamada mudança no campo educacional.





























Nenhum comentário:

Postar um comentário