sexta-feira, 1 de julho de 2011

Considerações Finais

Mas afinal, por que não fazemos a mudança acontecer?

Assista: http://www.youtube.com/watch?v=f6xg9F_iVeU


Sempre que penso nesta grande mudança que principalmnete nós, educadores, desejamos, me vem à mente a lembrança de um livro pelo qual tenho muito apreço, chamado "Construtivismo e Mudança" de Sanny Rosa. Dele, destaco duas importantes contribuições:




Mudar é diferente de inovar.


Inovar é fazer mais do mesmo.


Mudar exige reflexão. Exige que se faça como o estudante de nosso filme, que larga a mochila (concepções), abaixa a cabeça (reconhece a incerteza) e prossegue no caminho do novo fazer.






As pessoas não deixam de mudar por comodismo. Porque até para resistir implica-se gasto energético. Resistir é fazer força para o lado contrário.






Obviamente esta é uma questão complexa, que requer uma análise multidimensional. Mas vale recordar as sábias palavras de Gandhi:




"Seja a mudança que quer ver no mundo!"






Educação Moral e Direitos Humanos


Toda legislação de países pretensamnete democráticos se pauta nos valores e princípios que sustentam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.


E esta intenção também se estende para as instituições educacionais que pretendem formar os indivíduos que constituirão estas democracias.


A grande questão que surge em meio a tudo isso é: como fazer para que estes valores e princípios façam parte da vida escolar e sejam objeto de conhecimento legitimado dentro das escolas?


Neste sentido surgem propostas metodológicas que podem dar uma real sustentação para este tipo de trabalho. Entre elas estão as assembleias que podem ser escolares, de classe e até de professores. As assembleias de classe ocorrem com a mediação de um professor. A pauta da assembleia é definida durante a semana através dos registros feitos em um mural situado na própria classe contendo críticas e felicitações. Sobre as críticas é muito importante que o professor não permita a personificação da crítica, porque isso é pouco produtivo para a discussão dos alunos. Desta forma as atitudes devem ser julgadas e não as pessoas.


A assembleia sempre ocorre em um círculo e começa com a leitura da pauta. É muito importante que se mantenha a regularidade deste evento e em hipótese nenhum devem ser discutidas sanções para o não cumprimento das regras que derivarem da assembleia.


Além das assembleias, os grêmios estudantis são importantes espaços de promoção da democracia e do aprimoramento da educação em valores, bem como os fóruns públicos, que são abertos para toda a comunidade escolar.


Mas para que um bom trabalho seja instaurado é necessário romper com os muros da escola, promover a construção de relações sociais e interpessoais democrátocas, suscitar o protagonismo dos sujeitos e adotar um currículo com foco nos temas ligados a cidadania.

Design Thinking, Educação em Valores e Transformação Social


Design Thinking é uma das metodologias ativas de aprendizagem. Desenvolvida na Universidade de Stanford, nos EUA, ela tem como objetivo elaborar um design centrado nas pessoas. Ou seja, antes de implementar um projeto, qualquer que seja ele, é necessário ouvir as pessoas. Quais são seus desejos, seus sonhos, suas espectativas. Com base nestas informações cria-se um perfil genérico das pessoas, que ainda é sujeito a novas intervenções das pessoas participantes, a fim de que atenda ao máximo suas espectativas.


Por fim, com base nestas informações é feito um protótipo, que vai novamente para a análise da comunidade envolvida (design compartilhado). Este processo ocorre quantas vezes for necessário para se chegar a um bom projeto. E por fim ele é implementado.


Com vista nesta proposta, resolvi aplicá-la...


A demanda: o colégio em que trabalho vem passando por uma série de transformações devido as pressões do mercado. Neste contexto, uam série de ruídos e descontentamentis foram emergindo por parte dos funcionários, em especial, os professores. Mas afinal, quais são os desejos dos professores para ter uma escola dos sonhos?


O perfil dos professores:


sem professores de infra-estrutura;

reuniões mais democráticas;

sentimento de pertencimento;

manter as concepções de ensino originais;

confiança da direção na equipe;

condições de trabalho espontâneo, livre de pressões;

melhoria no salário;

maio atenção aos alunos de inclusão.


Este perfil foi revisado duas vezes e levado a reunião de avaliação institucional do colégio.

Agora um protótipo está por vir...




A construção social e psicológica dos valores


Segundo Piaget a essência da moralidade reside sobre o respeito que o indivíduo tem pelas regras que lhe são apresentadas. Como o respeito é um sentimento (e não uma ação, como é de costume imaginar) a moralidade remete ao campo afetivo.


Ainda segundo este autor o desenvolvimento da moralidade ocorre através de três estágios. O primeiro deles, a anomia, ocorre quando o sujeito ainda não apresenta nenhum tipo de familiarização com a regra. O segundo estágio, a heteronomia, está relacionado a coação realizada normalmente por aqueles que a criança considera uma "autoridade moral", ou seja, pais, mães, professores, etc. Neste estágio a regra é imposta e a criança não sabe justificar o porquê da regra. O último estágio, a autonomia, é o momento em que ocorre a internalização da regra.


A moralidade humana é constituida por uma rede de fatores entre os quais comparecem com grande peso os valores morais. Valores são projeções de sentimentos positivos sobre objetos, pessoas e relações, que ocorrem mediante a troca afetiva do sujeito com o exterior.


Sua constituição se dá a medida em que os valores se integram ao self e assim passam a ser motivadores das condutas do indivíduo.


Os valores ocupam posicionamentos diferentes dentro do sistema valorativo. Desta forma, um valor pode ser central ou periférico. Os valores centrais são aqueles que são mais importantes para o sujeito e que dificilmente serão colocados a prova (isso ocorre em situações de dilema moral). Já os periféricos são aqueles que, apesar de terem importância para o sujetio, comparecem em menor medida no sistema valorativo.


Entretanto, sendo os valores projeções sobre circunstâncias externas, há de ser verificado também o posicionamento destas circunstâncias para o sujeito. Assim, a honestidade pode ser um valor central para o indivíduo, mas de acordo com quem o individuo presta honestidade, isso pode variar. Sua mãe pode ser um valor central para ele, e por isso, ser honesto com a mãe é um valor central. Mas o sistema financeiro pode não ser um valor central para o sujeito, que consegue com falta de honetsidade, dribá-lo sem prejuízos para seu psiquismo.


Nas culturas ocidentais, o sentimento moral básico é a culpa, devido a uma forte herança da cultura católica que culpabiliza os seres humanos por suas falhas - os pecados. Já nas culturas orientais, o sentimento moral básico é a vergonha, muito ligada ao orgulho e a honra que estas culturas tanto valorizam. Estes dois sentimentos são experimentados no momento em que o indivíduo transgride seus valores centrais. Na busca de equilíbrio psíquico, os indivíduos acabam buscando soluções como o perdão e a desculpa.


Mas quais as implicações de todos estes estudos para a educação?


Ao compreendermos a essência da moralidade humana e seus desdobramentos, podemos melhor compreender os alunos e ter noções de que valores desejamos construir. E é neste ponto que, com base na declaração dos Direitos Humanos, podemos sistematizar valores desejáveis de serem universalizados, a fim de que a escola, seja também um espaço de construção e valorização de valores morais.


E como fazer isso? Repensando os espaços, as relações e os conteúdos presentes na escola, a fim de que sejam alvo de projeções afetivas dos alunos.

Pedagogia de Projetos e Novos Paradigmas em Educação



A Ciência começa a questionar a modernidade...


E logo notamos que as disciplinas tradicionais não dão conta da complexidade dos fenômenos.




Muitas vezes fui questionada: Por que uma Bióloga quer estudar Psicologia Moral?


E sem apresentar meus reais motivos (que são muitos!) gosto sempre de responder:




Todos sabem que o prefixo grego BIO significa vida. O que poucos sabem é que neste idioma há mais um prefixo com a mesma designação: ZOE.




A diferença entre BIO e ZOE?




ZOE significa vida no sentido puramente orgânico.


BIO significa vida em seus múltiplos aspectos: social, físico, emocional, psíquico e até espiritual.




E é por isso que eu continuo me sentindo muito bióloga ao trabalhar com um tema como este.


Tudo está no olhar que se tem...




Acredito que é importante iniciar esta questão falando do olhar. Porque direcionando ele estão nossas concepções e visões de mundo, que estas sim, precisam ser transformadas.




Qual é o limite das disciplinas? Entendo mais como um gradiente de passagem de uma área do conhecimento para a outra.




Continuo acreditando na importância das disciplinas e do conhecimento profundo, porém sistêmico. E é isso que a pedagogia de projetos possibilita. Em torno de um projeto comum as disciplinas se aliam a fim de contribuir com seus escopos teórico-metodológicos e seu olhar apurado na tentativa de ofertar uma visão o mais completa possível da temática a ser estudada. Esta é uma forma concreta de se trabalhar com a interdisciplinaridade na escola.




Aliado a esta abordagem temos ainda o trabalho com os temas transversais, que dão sentido ao projeto, ao atrelar a ele o objetivo de contribuir para uma temática social que mereça ser profundamente conhecida e posteriormente transformada.




Articulando estas duas importantes noções com os mais diversos tipos de conhecimento (científico, popular, discuplinar, cotidiano, acadêmico, etc) podemos formar uma rede de relações infinitas. E é com base nesta rede que o bom trabalho com projetos pode ser implementado.






Aprendizagem baseada em Problemas e por Projetos



Ao longo do desenvolvimento da humanidade surgiu a necessidade de formalizar uma instituição que fosse responsável pela transmissão dos valores culturais e conhecimentos produzidos pela sociedade.




Com o passar do tempo, a cultura foi se transformando e com isso novas demandas foram emergindo, dando origem as revoluções educacionais.




A primeira delas ocorreu no Egito antigo, com a construção de casas de instrução que se dedicavam ao ensino da aristocracia e dos sacerdotes. Foi neste momento que ocorreu a institucionalização da educação. Seu sistema baseava-se na figura de tutores, e esta ideia ofereceu a base para a educação até o século XVIII.




A segunda revolução ocorreu com a consolidação dos estados nacionais europeus, seguindo do século XVI ao XVIII. Até este momento a Igreja era a responsável pela educação, mas com o decreto do Rei Frederico na prússia, ela passou para as mãos do Estado. Como consequência disto ela foi amplificada. Este modelo do século XIX é o que permance até hoje. Sua base é a transmissão do conhecimento e é legitimada como excludente, já que era apenas para meninos brancos e saudáveis.




A terceira revolução educacional teve início com a ideia de massificação da educação, advinda do lema de igualdade da revolução francesa. Desta forma teve início a inclusão de diferenças sociais, de gênero, econômicas, raciais, físicas, culturais, psíquicas, entre outras. A busca pelo acesso era uma demanda de mercado, já que o intuito final era o desenvolvimento do capitalismo, através do emprego de mão de obra qualificada nas indústrias. O interessante desta revolução é que ela limita a desqualificação do pensamento divergente.




Agora chega em bons tempos a quarta revolução educacional, que é regida pela necessidade de novas formas de ensino e tecnologias. O connhecimento não está mais no professor e isso possibilita a bertura para um novo tipo de relação do professor com seus alunos e dos alunos com o conhecimento. O que se emprega agora são as metodologias ativas de aprendizagem em que os alunos ocipam papel central, ativo e autônomo na construção do conhecimento. Dentro deste perspectiva, o professor é o condutor do caminho, o tutor que auxilia na construção do percurso mas que o percorre juntamente com seus alunos.




É dado espaço para a incerteza dos fenômenos e o resultado final deixa de ser o objetivo primordial do processo educativo, que passa a se concentrar no processo formativo.

O trabalho com problemas e com projetos emergem como grandes possibilidades metodológicas para viabilizar esta nova revolução. Trabalhar sob este foco requer a abertura para o novo, a ideia de transformação da realidade, o acolhimento das incertezas, escolhas e riscos e o planejamento estratégico, que vão muito além da compartimentalização disciplinar.


O que queremos mostrar com todo este resgate das mudanças que ocorrem na escola ao longo dos últimos séculos é a necessidade desta instituição sempre se reinventar para continuar a ter um papel de destaque na sociedade. E é por isso que defendemos tanto a necessidade de uma mudança real nas concepções que sustetam a escola.



Ética relacional e conflitos

Muitas são as heranças da racionalidade kantiana em nossa sociedade. Somado a este fator ainda temos a força do paradigma vigente da ciência que a tudo quantifica.




Exemplo curioso destes dois determinantes de nossa estrutura social e cultural são que não aprendemos a qualificar nossos sentimentos e sim a quantificá-los.




Não dizemos a forma pela qual amamos as pessoas, só se muito ou pouco. Mas na verdade, este sentimento é muito complexo para ser expressado apenas em termos quantitativos.




Amamos de formas diferentes pessoas diferentes. E isso tudo porque o amor não é um sentimento por si só, ele é um complexo de sentimentos que interagem produzindo a sensação de bem-querer.




Para alguns ter ciúmes faz parte do amor, para outros não. Para uns ter cuidado com quem se ama é demonstrar amor, para outros não.




E é devido a esta complexidade que o estudo do amor se torna um tema muito interessante e enriquecedor de nossa discussão sobre a complexidade dos modelos organizadores do pensamento de cada indivíduo.


Trabalha-se nesta perspectiva com a evolução de conflitos amorosos. A medida que o conflito avança, os modelos organizadores ganham complexidade e com isso, pode-se averiguar melhor os detalhes que compõe o modelo organizador.



Os modelos permitem a análise da cognição, da afetividade e das ações das pessoas, ou seja, o sujeito integralmente. Desta forma é uma perspectiva teórico-metodológica que rompe com as dicotomias criadas para simplificar a compreensão dos sujeitos.



E neste ponto é interessante notar que esta compreensão possui inúmeras aplicações no âmbito educacional. Enquanto os alunos se colocam, produzem materiais e realizam outras atividades os professores podem coletar informações que lhe possibilitem identificar os modelos organizadores dos alunos sobre uma questão específica da aprendizagem, o que pode e muito colaborar para que suas intervenções sejam mais compreensíveis para os alunos.


Ou seja, se conseguirmos entender o modelo organizador original do aluno, podemos elaborar o melhor caminho para onde queremos chegar, trazendo ou não, novos elementos e atribuindo-lhes novos significados.