Muitas são as heranças da racionalidade kantiana em nossa sociedade. Somado a este fator ainda temos a força do paradigma vigente da ciência que a tudo quantifica.
Exemplo curioso destes dois determinantes de nossa estrutura social e cultural são que não aprendemos a qualificar nossos sentimentos e sim a quantificá-los.
Não dizemos a forma pela qual amamos as pessoas, só se muito ou pouco. Mas na verdade, este sentimento é muito complexo para ser expressado apenas em termos quantitativos.
Amamos de formas diferentes pessoas diferentes. E isso tudo porque o amor não é um sentimento por si só, ele é um complexo de sentimentos que interagem produzindo a sensação de bem-querer.
Para alguns ter ciúmes faz parte do amor, para outros não. Para uns ter cuidado com quem se ama é demonstrar amor, para outros não.
E é devido a esta complexidade que o estudo do amor se torna um tema muito interessante e enriquecedor de nossa discussão sobre a complexidade dos modelos organizadores do pensamento de cada indivíduo.
Trabalha-se nesta perspectiva com a evolução de conflitos amorosos. A medida que o conflito avança, os modelos organizadores ganham complexidade e com isso, pode-se averiguar melhor os detalhes que compõe o modelo organizador.
Os modelos permitem a análise da cognição, da afetividade e das ações das pessoas, ou seja, o sujeito integralmente. Desta forma é uma perspectiva teórico-metodológica que rompe com as dicotomias criadas para simplificar a compreensão dos sujeitos.
E neste ponto é interessante notar que esta compreensão possui inúmeras aplicações no âmbito educacional. Enquanto os alunos se colocam, produzem materiais e realizam outras atividades os professores podem coletar informações que lhe possibilitem identificar os modelos organizadores dos alunos sobre uma questão específica da aprendizagem, o que pode e muito colaborar para que suas intervenções sejam mais compreensíveis para os alunos.
Ou seja, se conseguirmos entender o modelo organizador original do aluno, podemos elaborar o melhor caminho para onde queremos chegar, trazendo ou não, novos elementos e atribuindo-lhes novos significados.
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