Segundo Piaget a essência da moralidade reside sobre o respeito que o indivíduo tem pelas regras que lhe são apresentadas. Como o respeito é um sentimento (e não uma ação, como é de costume imaginar) a moralidade remete ao campo afetivo.
Ainda segundo este autor o desenvolvimento da moralidade ocorre através de três estágios. O primeiro deles, a anomia, ocorre quando o sujeito ainda não apresenta nenhum tipo de familiarização com a regra. O segundo estágio, a heteronomia, está relacionado a coação realizada normalmente por aqueles que a criança considera uma "autoridade moral", ou seja, pais, mães, professores, etc. Neste estágio a regra é imposta e a criança não sabe justificar o porquê da regra. O último estágio, a autonomia, é o momento em que ocorre a internalização da regra.
A moralidade humana é constituida por uma rede de fatores entre os quais comparecem com grande peso os valores morais. Valores são projeções de sentimentos positivos sobre objetos, pessoas e relações, que ocorrem mediante a troca afetiva do sujeito com o exterior.
Sua constituição se dá a medida em que os valores se integram ao self e assim passam a ser motivadores das condutas do indivíduo.
Os valores ocupam posicionamentos diferentes dentro do sistema valorativo. Desta forma, um valor pode ser central ou periférico. Os valores centrais são aqueles que são mais importantes para o sujeito e que dificilmente serão colocados a prova (isso ocorre em situações de dilema moral). Já os periféricos são aqueles que, apesar de terem importância para o sujetio, comparecem em menor medida no sistema valorativo.
Entretanto, sendo os valores projeções sobre circunstâncias externas, há de ser verificado também o posicionamento destas circunstâncias para o sujeito. Assim, a honestidade pode ser um valor central para o indivíduo, mas de acordo com quem o individuo presta honestidade, isso pode variar. Sua mãe pode ser um valor central para ele, e por isso, ser honesto com a mãe é um valor central. Mas o sistema financeiro pode não ser um valor central para o sujeito, que consegue com falta de honetsidade, dribá-lo sem prejuízos para seu psiquismo.
Nas culturas ocidentais, o sentimento moral básico é a culpa, devido a uma forte herança da cultura católica que culpabiliza os seres humanos por suas falhas - os pecados. Já nas culturas orientais, o sentimento moral básico é a vergonha, muito ligada ao orgulho e a honra que estas culturas tanto valorizam. Estes dois sentimentos são experimentados no momento em que o indivíduo transgride seus valores centrais. Na busca de equilíbrio psíquico, os indivíduos acabam buscando soluções como o perdão e a desculpa.
Mas quais as implicações de todos estes estudos para a educação?
Ao compreendermos a essência da moralidade humana e seus desdobramentos, podemos melhor compreender os alunos e ter noções de que valores desejamos construir. E é neste ponto que, com base na declaração dos Direitos Humanos, podemos sistematizar valores desejáveis de serem universalizados, a fim de que a escola, seja também um espaço de construção e valorização de valores morais.
E como fazer isso? Repensando os espaços, as relações e os conteúdos presentes na escola, a fim de que sejam alvo de projeções afetivas dos alunos.
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